Conhecer Tomar é perceber como uma fortaleza se ligou a uma povoação, como um convento se transformou ao longo dos séculos e como a cidade continuou a crescer para além desse conjunto monumental. Este guia reúne os principais acontecimentos, explica o significado dos lugares e propõe formas de os descobrir com contexto.

O essencial: Tomar foi fundada como vila medieval em 1160, por D. Gualdim Pais. É conhecida como a cidade dos Templários, foi sede da Ordem de Cristo e recebeu o estatuto de cidade em 1844. O Convento de Cristo está inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO desde 1983. A Sinagoga, a Levada e a Festa dos Tabuleiros completam uma história que vai muito além da herança militar.

Onde fica Tomar e porque foi importante a sua localização?

Tomar situa-se no centro de Portugal, no distrito de Santarém e na região do Médio Tejo. A cidade desenvolveu-se junto ao rio Nabão, enquanto o castelo ocupou uma elevação que permitia dominar visualmente a povoação e a paisagem envolvente.

A colina do castelo vista da Várzea Grande ajuda a perceber a relação entre a cidade e a sua posição defensiva. Fotografia de 2022.
A colina do castelo vista da Várzea Grande ajuda a perceber a relação entre a cidade e a sua posição defensiva. Fotografia de 2022. Fotografia: Ingo Mehling. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

Esta relação entre água, terrenos agrícolas e posição defensiva ajuda a compreender a escolha do lugar. O rio sustentava atividades produtivas; a colina oferecia proteção; a vila organizava o quotidiano de uma comunidade em crescimento. Ao passear entre a Praça da República, a zona ribeirinha e o conjunto do castelo, estas três dimensões continuam a ser visíveis.

Para situar a visita, importa distinguir a cidade do concelho de Tomar e da região envolvente. A ligação histórica aos Templários prolonga-se por outros lugares do Médio Tejo, mas nem todos pertencem ao município tomarense.

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Antes dos Templários: as origens e a cidade romana de Sellium

O território de Tomar conserva vestígios de presença humana anteriores à Idade Média. A investigação arqueológica identifica diferentes momentos de ocupação, pelo que a fundação de 1160 deve ser entendida como o início da vila medieval templária, e não como o primeiro povoamento da região.

Sellium ou Seilium: o passado romano

Na época romana existiu aqui uma cidade conhecida como Sellium, também referida como Seilium. Os vestígios situam-se na margem esquerda do Nabão, na área entre Santa Maria do Olival e Santa Iria. A documentação arqueológica regista estruturas urbanas e achados que ajudam a reconstituir essa ocupação.

Vestígios do fórum de Sellium, a cidade romana anterior à vila templária. Fotografia de 2023.
Vestígios do fórum de Sellium, a cidade romana anterior à vila templária. Fotografia de 2023. Fotografia: Threeohsix. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

Ao contrário dos monumentos medievais que dominam a paisagem, a cidade romana conhece-se sobretudo através da arqueologia. Nem todos os seus vestígios correspondem a espaços visitáveis. Ao procurar a «Tomar romana», convém distinguir os resultados da investigação de um circuito turístico com acesso público.

E a antiga Nabância?

O nome Nabância aparece associado à memória antiga da cidade e à tradição de Santa Iria. Não deve substituir automaticamente a identificação arqueológica de Sellium, nem servir para apresentar todos os episódios lendários como acontecimentos comprovados. A história local reúne diferentes tipos de testemunhos, que precisam de ser lidos no respetivo contexto.

O altar-mor da Capela de Santa Iria evoca a tradição religiosa local. É património de épocas posteriores, não um vestígio arqueológico de Nabância.
O altar-mor da Capela de Santa Iria evoca a tradição religiosa local. É património de épocas posteriores, não um vestígio arqueológico de Nabância. Fotografia: Threeohsix. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

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Porque se escrevia Thomar e hoje se escreve Tomar?

Thomar é uma grafia histórica do nome Tomar. A supressão do «h» enquadra-se na simplificação da ortografia portuguesa, em particular na reforma de 1911. A mudança na escrita não corresponde à fundação de outra cidade nem resolve, por si só, a origem do topónimo.

Porque aparecia um «h» depois do «t»?

O arqueólogo Jorge de Alarcão observa que a forma Thomar surge também em documentos medievais. Na sua análise, esse «th» não encontra justificação etimológica: a escrita medieval podia empregar o grupo mesmo sem correspondência com a origem da palavra e sem lhe atribuir um valor fonético próprio. Assim, o «h» de Thomar não demonstra uma pronúncia diferente nem comprova uma origem grega do nome.

O que mudou com a reforma ortográfica de 1911?

O Formulário Ortográfico de 1911, nas cláusulas III e VI, determinou a eliminação do «h» no interior dos vocábulos, com as exceções previstas, e especificamente nos grupos «rh» e «th». O documento estabelece, por exemplo, a escrita de teatro e retórica. Esta normalização fornece o enquadramento linguístico para a passagem de Thomar a Tomar.

De Thomar a Tomar: simplificação da grafia
Esquema explicativo da simplificação gráfica. Não é a reprodução de um documento antigo. Esquema: TomarOnline. Fonte da regra: Formulário Ortográfico de 1911, cláusulas III e VI.

Trata-se da reforma portuguesa do início do século XX, não do Acordo Ortográfico de 1990. A adoção de uma norma não implica que livros, inscrições e nomes de instituições tenham sido todos alterados num único dia. A grafia antiga pode continuar a aparecer em contextos históricos ou identitários.

De onde vem, afinal, o nome Tomar?

A origem do topónimo continua discutida. A síntese do Ciberdúvidas apresenta propostas relacionadas com o tomilho, com um nome pessoal transmitido pelo latim e com um antigo nome de rio. Alarcão defende como hipótese uma ligação a Tamaris, de origem pré-romana, e analisa documentos em que o atual Nabão é referido como rio de Tomar. Estas são propostas de interpretação, não uma etimologia definitivamente demonstrada.

É importante separar duas perguntas: porque desapareceu o «h», uma questão de história da escrita, e de onde vem o nome, uma questão de etimologia. A primeira pode ser explicada pelo contexto ortográfico; a segunda permanece em debate.

Onde encontrar hoje a memória da grafia antiga?

A designação histórica Club Thomarense é um exemplo de conservação de «th» num nome ligado à cidade. O edifício está identificado no inventário municipal do património arquitetónico. Esta permanência numa designação histórica não altera a grafia atual do topónimo: Tomar.

Edifício identificado como Club Thomarense no inventário patrimonial municipal. A designação histórica conserva o grupo «th».
Edifício identificado como Club Thomarense no inventário patrimonial municipal. A designação histórica conserva o grupo «th». Fotografia: Threeohsix. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

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A fundação de Tomar: o que aconteceu em 1160?

A fundação medieval de Tomar está ligada à formação do reino português e à atuação da Ordem do Templo. Em 1159, D. Afonso Henriques entregou à ordem este território. No ano seguinte, Gualdim Pais iniciou a construção do castelo e a organização da nova vila.

Vista exterior do Castelo dos Templários, em Tomar
O Castelo dos Templários, ponto de partida da fundação medieval de Tomar. Fotografia de 2015. Fotografia: Jaimrsilva. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

A inscrição fundacional assinala o dia 1 de março de 1160 como o início da edificação do castelo. É essa a referência histórica central quando se pergunta quando foi fundada Tomar. A fortaleza integrou o esforço de defesa e consolidação do território durante a Reconquista cristã.

Os forais de 1162 e 1174, outorgados por Gualdim Pais, mostram também a dimensão civil desta fundação. Uma vila precisava de regras, direitos e obrigações para os seus habitantes. Tomar nasceu, assim, como um projeto de organização do território, com vida económica e população, além da sua função militar.

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Quem foi D. Gualdim Pais?

Gualdim Pais foi o mestre templário responsável pela fundação medieval de Tomar. Associado ao serviço de D. Afonso Henriques e à implantação da Ordem do Templo em Portugal, é a figura que liga a construção do castelo à formação da vila.

Estátua de Gualdim Pais na Praça da República. O monumento homenageia o fundador medieval e foi inaugurado no século XX.
Estátua de Gualdim Pais na Praça da República. O monumento homenageia o fundador medieval e foi inaugurado no século XX. Fotografia: Ingo Mehling. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

A sua presença na memória tomarense é muito concreta. A estátua na Praça da República, inaugurada em 1940, recorda o fundador no centro da cidade. Em Santa Maria do Olival encontra-se a sua memória funerária, ligada à morte em 1195.

Entre estes dois lugares, a visita permite observar como uma personalidade medieval continuou a ser evocada em épocas muito posteriores. O castelo pertence à história da fundação; a estátua mostra a forma como a cidade escolheu homenagear essa história no século XX.

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Porque é Tomar conhecida como a cidade dos Templários?

Tomar tornou-se uma referência templária porque aqui se fixou a sede portuguesa da Ordem do Templo. A presença dos cavaleiros marcou o castelo, o território administrado pela ordem e a organização da povoação.

O Castelo de Tomar é um testemunho construído da presença templária. Fotografia de 2021.
O Castelo de Tomar é um testemunho construído da presença templária. Fotografia de 2021. Fotografia: Sanrafae. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

Os Templários eram membros de uma ordem religiosa e militar. A sua atuação em Portugal esteve ligada à defesa e ao povoamento, mas também à gestão de propriedades, rendimentos e estruturas produtivas. A história templária de Tomar inclui, por isso, tanto muralhas como moinhos e regras de vida comunitária.

O cerco de 1190

Em 1190, o castelo resistiu a um ataque almóada. Este episódio, associado a Gualdim Pais, tornou-se um dos acontecimentos mais conhecidos da história militar local. A memória do confronto está ligada à chamada Porta do Sangue.

Uma porta nas muralhas do Castelo de Tomar ilustra a arquitetura defensiva. A fotografia não identifica nem reconstitui o ataque de 1190.
Uma porta nas muralhas do Castelo de Tomar ilustra a arquitetura defensiva. A fotografia não identifica nem reconstitui o ataque de 1190. Fotografia: Remuslupin1513. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

Para compreender o cerco, é preferível consultar estudos históricos e testemunhos documentais a repetir números extraordinários de combatentes presentes em narrativas antigas. As fontes medievais também procuravam celebrar vitórias, transmitir uma mensagem religiosa e engrandecer protagonistas.

O Município reúne materiais sobre os Templários e o cerco de Tomar de 1190, incluindo uma conferência do historiador Miguel Gomes Martins.

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Da extinção dos Templários à criação da Ordem de Cristo

A Ordem do Templo foi suprimida pelo papa Clemente V em 1312. Em Portugal, D. Dinis promoveu uma solução que permitiu integrar o património templário numa nova instituição: a Ordem de Cristo.

A cruz da Ordem de Cristo na calçada de Tomar: uma evocação urbana da herança da ordem. A imagem não representa a bula de fundação.
A cruz da Ordem de Cristo na calçada de Tomar: uma evocação urbana da herança da ordem. A imagem não representa a bula de fundação. Fotografia: Filipefirix. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0.

A nova ordem foi instituída pela bula Ad ea ex quibus, do papa João XXII, em 14 de março de 1319. Recebeu bens, direitos e domínios que tinham pertencido aos Templários. A sua residência inicial foi Castro Marim; em 1357, a sede foi transferida para Tomar, segundo a documentação apresentada pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Esta sucessão ajuda a explicar a continuidade de Tomar como centro religioso e administrativo. No entanto, a Ordem do Templo e a Ordem de Cristo foram instituições distintas. Dizer simplesmente que os Templários «mudaram de nome» esconde o papel da monarquia, do papado e da reorganização institucional.

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O Infante D. Henrique, Tomar e a expansão marítima

O Infante D. Henrique administrou a Ordem de Cristo entre 1420 e 1460. A sua ligação a Tomar é visível nas transformações do conjunto conventual, incluindo os claustros da Lavagem e do Cemitério.

O Claustro do Cemitério integra a fase henriquina do Convento de Cristo. Fotografia de 2001.
O Claustro do Cemitério integra a fase henriquina do Convento de Cristo. Fotografia de 2001. Fotografia: Lusitana. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0.

Com a Ordem de Cristo, a história tomarense passou a relacionar-se com a expansão marítima portuguesa. A ligação foi institucional, religiosa e económica, não significando que as viagens partissem da cidade. Tomar era um dos lugares a partir dos quais se administravam recursos e se afirmava o poder da ordem.

A cruz da Ordem de Cristo tornou-se um símbolo associado à expansão. No convento, o visitante encontra também as marcas de um período em que a monarquia investiu em novas construções e programas decorativos. A leitura deste património ganha profundidade quando se considera o contexto mais amplo da expansão, incluindo os seus conflitos e relações de poder.

Contexto arquitetónico e histórico: Convento de Cristo, na Museus e Monumentos de Portugal.

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Castelo de Tomar e Convento de Cristo: como ler o monumento

O Castelo Templário e o Convento de Cristo fazem parte do mesmo conjunto monumental, mas correspondem a funções e fases de construção diferentes. O castelo nasceu no século XII; as ampliações conventuais e as alterações da igreja prolongaram-se durante séculos.

A Charola templária

Interior da Charola do Convento de Cristo, em Tomar
A Charola conserva o núcleo medieval do conjunto e uma decoração enriquecida em épocas posteriores. Fotografia: Sara Araújo Marques. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

A Charola é o núcleo religioso medieval do conjunto. A sua estrutura inclui um corpo central octogonal e um espaço envolvente de circulação. A forma em rotunda relaciona-se com modelos de Jerusalém, em particular o Santo Sepulcro. A decoração que hoje se observa inclui intervenções posteriores à construção templária.

Ao entrar, vale a pena separar mentalmente a estrutura arquitetónica da pintura e dos restantes elementos decorativos. O espaço não ficou imobilizado na época de Gualdim Pais: foi reinterpretado e enriquecido por gerações seguintes.

A Janela do Capítulo e a arte manuelina

A Janela do Capítulo é uma das imagens mais conhecidas de Tomar. Integrada na campanha manuelina associada a Diogo de Arruda, reúne uma composição esculpida de grande densidade. Os motivos vegetais, as formas que evocam cordas e os emblemas régios convidam a uma observação demorada.

É um bom ponto de partida para reconhecer o manuelino, mas o convento não se resume a esse estilo. A visita permite comparar o românico, o gótico e as linguagens clássicas introduzidas nas fases seguintes.

Janela do Capítulo do Convento de Cristo, com decoração manuelina
A Janela do Capítulo é uma das referências da arte manuelina em Tomar. Fotografia: José Luis Filpo Cabana. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY 3.0.

O Claustro de D. João III

O Claustro Principal, também conhecido como Claustro de D. João III, é uma referência da arquitetura do Renascimento em Portugal. A sua história envolve sucessivas campanhas e os nomes de João de Castilho, Diogo de Torralva e Filipe Terzi. A ordem das colunas, os dois pisos e o pátio central oferecem uma experiência distinta da exuberância manuelina.

O Claustro de D. João III permite observar a linguagem clássica das ampliações renascentistas do convento.
O Claustro de D. João III permite observar a linguagem clássica das ampliações renascentistas do convento. Fotografia: Jl FilpoC. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY 4.0.

O que está classificado pela UNESCO?

O Convento de Cristo foi inscrito na Lista do Património Mundial em 1983. O reconhecimento valoriza o conjunto monumental e a sua importância artística e histórica. Não significa que toda a cidade de Tomar, ou qualquer monumento do concelho, tenha automaticamente a mesma classificação.

Vista do conjunto do Convento de Cristo, inscrito na Lista do Património Mundial em 1983.
Vista do conjunto do Convento de Cristo, inscrito na Lista do Património Mundial em 1983. Fotografia: Concierge.2C. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0.

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O centro histórico: a cidade para além das muralhas

A Praça da República é um ponto de partida natural para descobrir o centro histórico de Tomar. Entre a Câmara Municipal, a Igreja de São João Baptista e a estátua de Gualdim Pais, encontram-se referências ao poder local, à vida religiosa e à memória da fundação.

Praça da República, no centro histórico de Tomar, com a estátua de Gualdim Pais
A Praça da República reúne referências à vida cívica, religiosa e à memória do fundador de Tomar. Fotografia: Ingo Mehling. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

As ruas que ligam a praça ao Nabão ajudam a perceber a escala da cidade. O casario, as fachadas e os detalhes de portas e janelas completam a leitura dos grandes monumentos. Em vez de procurar apenas edifícios isolados, vale a pena observar as relações entre a praça, a antiga judiaria e a frente ribeirinha.

A Igreja de São João Baptista

A igreja apresenta uma importante construção de finais da Idade Média, com elementos manuelinos. No interior destacam-se pinturas de Gregório Lopes. A observação do portal, da torre e do programa decorativo permite relacionar a igreja com a transformação artística da vila nos séculos XV e XVI.

A Igreja de São João Baptista na Praça da República. Fotografia de 2015.
A Igreja de São João Baptista na Praça da República. Fotografia de 2015. Fotografia: Jaimrsilva. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

A designação «centro histórico» não implica que todos os edifícios tenham a mesma idade. A cidade foi sendo reconstruída e adaptada, pelo que fachadas de diferentes épocas convivem no mesmo percurso.

Relógio na fachada da Igreja de São João Baptista, em Tomar
O relógio da Igreja de São João Baptista convida a observar os detalhes do património do centro histórico. Fotografia: Wendell Adriel L.S.. Fonte: Unsplash. Licença: Licença Unsplash.

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Santa Maria do Olival: o panteão ligado aos mestres templários

A Igreja de Santa Maria do Olival, também conhecida como Santa Maria dos Olivais, está profundamente ligada à memória funerária da Ordem do Templo. A origem do templo remonta ao século XII, mas a igreja que chegou até nós resulta de uma reconstrução gótica do século XIII.

Igreja de Santa Maria do Olival, em Tomar
Santa Maria do Olival está ligada à memória funerária dos mestres templários. Fotografia de 2021. Fotografia: Sanrafae. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

Foi aqui sepultado Gualdim Pais. A lápide que conserva a sua memória é um dos elementos mais significativos para quem procura compreender a presença templária em Tomar. O edifício ajuda também a acompanhar a ligação posterior à Ordem de Cristo e à sua ação religiosa.

Há uma distinção importante para a visita: Santa Maria do Olival não é a igreja situada na Praça da República. Esta última é São João Baptista. Incluir ambas permite conhecer dois lugares com funções e histórias diferentes.

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A Sinagoga de Tomar e a história da comunidade judaica

A história de Tomar inclui uma importante presença judaica. A Sinagoga de Tomar, construída no século XV, é um testemunho material dessa comunidade e um dos lugares fundamentais para conhecer a diversidade do passado local.

Sinagoga de Tomar, testemunho do património judaico da cidade
A Sinagoga de Tomar testemunha a presença da comunidade judaica na vila medieval. Fotografia de 2021. Fotografia: LennyAragon. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

A fachada discreta contrasta com o interior abobadado, sustentado por quatro colunas. O espaço inclui soluções acústicas associadas a recipientes cerâmicos embutidos na construção. A visita permite observar a arquitetura religiosa e conhecer a vida de uma comunidade que fazia parte da vila medieval.

As medidas de expulsão e conversão impostas aos judeus no final do século XV alteraram profundamente essa realidade. A sinagoga perdeu a sua função religiosa e conheceu outros usos. A sua preservação e recuperação pertencem, por isso, também à história mais recente do reconhecimento do património judaico português.

Samuel Schwarz e o Museu Luso-Hebraico Abraão Zacuto

Samuel Schwarz adquiriu o edifício em 1923 e doou-o ao Estado em 1939, com a condição de aí permanecer o museu luso-hebraico. A designação homenageia Abraão Zacuto, astrónomo e matemático associado ao conhecimento científico do período da expansão.

Retrato de Samuel Schwarz, associado à recuperação e preservação da Sinagoga de Tomar. A fonte situa a fotografia aproximadamente em 1915.
Retrato de Samuel Schwarz, associado à recuperação e preservação da Sinagoga de Tomar. A fonte situa a fotografia aproximadamente em 1915. Fotografia: Unknown authorUnknown author. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: Public domain.

O nome do museu não deve ser tomado como prova de que Zacuto viveu nesta casa. O valor do lugar reside na sinagoga, nos testemunhos da comunidade e no trabalho de estudo e preservação.

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As Cortes de Tomar de 1581 e a monarquia filipina

Em 1581, Tomar foi palco de um acontecimento central da história política portuguesa. Nas Cortes reunidas na vila, Filipe II de Espanha foi reconhecido como Filipe I de Portugal, no contexto da crise de sucessão que se seguiu ao desaparecimento de D. Sebastião e à morte do cardeal D. Henrique.

O Padrão Filipino conserva na cidade a memória do período da monarquia filipina. Fotografia de 2023.
O Padrão Filipino conserva na cidade a memória do período da monarquia filipina. Fotografia de 2023. Fotografia: Threeohsix. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

Este episódio liga Tomar ao período da monarquia filipina, que terminou com a Restauração de 1640. Para quem visita a cidade, é também uma oportunidade para perceber que o convento foi um espaço de representação política, além das suas funções religiosas.

O Monumento a D. Filipe, na Várzea Grande, conserva uma memória urbana desse período. As intervenções no conjunto conventual e o desenvolvimento do sistema de abastecimento de água mostram que a presença filipina deixou marcas materiais em Tomar.

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Aqueduto dos Pegões: a água que abastecia o convento

O Aqueduto dos Pegões, ou Aqueduto do Convento de Cristo, foi construído para levar água de nascentes exteriores à cidade até ao conjunto conventual. O projeto foi traçado por Filipe Terzi, tendo a obra começado em 1593.

Aqueduto dos Pegões, construído para abastecer o Convento de Cristo
O Aqueduto dos Pegões fazia chegar ao convento a água das nascentes da envolvente. Fotografia de 2015. Fotografia: Jaimrsilva. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

A primeira fase ficou concluída em 1614. O sistema foi depois prolongado até ao edifício do convento, chegando à fonte do Claustro Principal em 1619. Estas diferentes etapas explicam porque aparecem duas datas de conclusão em muitas apresentações do monumento.

O traçado estende-se por cerca de seis quilómetros. No vale de Pegões, a arcaria sobreposta permite vencer o desnível do terreno e produz a imagem mais conhecida da obra. A imponência não deve fazer esquecer a função: transportar água de forma contínua até uma comunidade religiosa de grandes dimensões.

Apesar da associação frequente à «cidade dos Templários», o aqueduto não é uma construção templária medieval. Pertence a uma fase muito posterior da história do convento.

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Mata dos Sete Montes e Ermida da Conceição: a paisagem conventual

A antiga cerca do Convento de Cristo

A Mata Nacional dos Sete Montes corresponde à antiga cerca conventual, entre o monumento e a cidade. No século XVI, a aquisição de propriedades em redor do convento ampliou um espaço que servia o recolhimento dos religiosos e a produção agrícola.

Charolinha na Mata Nacional dos Sete Montes, em Tomar
A Charolinha integra a paisagem da antiga cerca conventual. Fotografia de 2005. Fotografia: Paulo Juntas. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 2.5.

A Charolinha é um dos seus elementos mais reconhecíveis: uma pequena construção de pedra integrada num ambiente de vegetação e água. A mata passou a parque florestal em 1938 e adotou a atual designação em 1986.

Para compreender este lugar, é útil pensar na vida do convento para lá da igreja: alimentação, cultivo, silêncio, circulação e gestão da paisagem faziam parte do funcionamento quotidiano.

A Ermida de Nossa Senhora da Conceição

Na encosta encontra-se a Ermida de Nossa Senhora da Conceição, um importante exemplo da arquitetura do Renascimento. A sua construção está ligada a João de Castilho e Diogo de Torralva, no século XVI. O projeto é associado à intenção de criar um panteão para D. João III, finalidade que não se concretizou.

A Ermida de Nossa Senhora da Conceição é uma referência do Renascimento em Tomar. Fotografia de 2009.
A Ermida de Nossa Senhora da Conceição é uma referência do Renascimento em Tomar. Fotografia de 2009. Fotografia: Juntas. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

A sobriedade exterior e a organização interior oferecem uma leitura complementar do período renascentista. É um lugar para comparar com o convento, sem assumir que ambos tiveram sempre a mesma função.

Referências: Mata dos Sete Montes, no turismo municipal e Ermida da Conceição, no Património Cultural. Confirme as condições de acesso antes da deslocação.

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O rio Nabão, a Levada e a história industrial de Tomar

O Nabão foi uma infraestrutura económica muito antes de ser uma imagem de passeio. A água permitiu regar, moer e apoiar atividades produtivas. Os moinhos e lagares associados à Levada mostram a continuidade dessa utilização desde a época medieval.

Edifício da Geradora na Levada de Tomar
O património da Levada permite conhecer a ligação entre água, indústria e energia em Tomar. Fotografia de 2023. Fotografia: Threeohsix. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

O Complexo Cultural da Levada preserva essa relação entre rio, tecnologia e trabalho. As antigas instalações ajudam a compreender a produção de farinha, a fundição e a geração de energia. Aqui, a história local é contada através de máquinas, edifícios industriais e memórias de quem neles trabalhou.

Da força da água à eletricidade

A Central Elétrica de Tomar foi inaugurada em 1 de julho de 1901 para fornecer iluminação à cidade. O núcleo museológico permite conhecer essa etapa da modernização e diferentes sistemas de produção de energia.

Maquinaria preservada no Edifício da Geradora, testemunho da história da produção de eletricidade em Tomar.
Maquinaria preservada no Edifício da Geradora, testemunho da história da produção de eletricidade em Tomar. Fotografia: Threeohsix. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

A visita à Levada acrescenta uma dimensão frequentemente esquecida nos roteiros centrados nos Templários: Tomar também foi uma cidade de trabalhadores, oficinas e fábricas. O património industrial ajuda a ligar a história medieval às transformações dos séculos XIX e XX.

O Mouchão e a roda de água

No Parque do Mouchão, a roda de madeira evoca as técnicas de aproveitamento da água do Nabão. O engenho identificado pelo município remonta a 1906 e foi alvo de sucessivas intervenções de manutenção. Não deve ser apresentado como uma peça medieval intacta.

A roda de água do Mouchão recorda o aproveitamento da força do Nabão. Fotografia de 2022.
A roda de água do Mouchão recorda o aproveitamento da força do Nabão. Fotografia de 2022. Fotografia: Ingo Mehling. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

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Tomar nos séculos XIX, XX e XXI: indústria, cultura e preservação

O século XIX trouxe uma mudança profunda à relação entre a cidade e as instituições religiosas. A extinção das casas religiosas masculinas, em 1834, alterou a utilização e a administração do património conventual. O estudo dos inventários desse período permite acompanhar o destino de bens e arquivos.

Em 13 de fevereiro de 1844, por decisão de D. Maria II, Tomar foi elevada à categoria de cidade. A data assinala uma mudança de estatuto da antiga vila, não o início da sua história urbana.

A atividade fabril e a modernização deram novas funções às margens do Nabão. Ao mesmo tempo, fotografia, música, imprensa e espaços de espetáculo passaram a registar e a transformar a vida local. Hoje, os museus e os projetos de recuperação permitem conhecer vários desses percursos.

Fernando Lopes-Graça e a memória musical

O compositor Fernando Lopes-Graça nasceu em Tomar em 1906. A Casa Memória instalada no local onde nasceu conserva documentação e testemunhos da sua vida e obra. É uma ligação direta entre a cidade e a história da música portuguesa do século XX.

Monumento que evoca Fernando Lopes-Graça em Tomar. Trata-se de uma homenagem posterior ao compositor, não de uma fotografia da sua vida.
Monumento que evoca Fernando Lopes-Graça em Tomar. Trata-se de uma homenagem posterior ao compositor, não de uma fotografia da sua vida. Fotografia: Paulo Juntas. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0.

Do colecionismo aos museus

O Museu dos Fósforos, no Convento de São Francisco, resulta da coleção de Aquiles da Mota Lima, doada ao município em 1980. As caixas e etiquetas permitem observar mudanças na comunicação visual, na publicidade e na representação de acontecimentos e lugares.

O Museu dos Fósforos permite descobrir a história do colecionismo e da comunicação visual. Fotografia de 2015.
O Museu dos Fósforos permite descobrir a história do colecionismo e da comunicação visual. Fotografia de 2015. Fotografia: Jaimrsilva. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

O Núcleo de Arte Contemporânea, a Casa Memória e a Levada ampliam a descoberta da cidade. A preservação de Tomar passa por reconhecer este património diversificado, além dos edifícios mais fotografados.

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A Festa dos Tabuleiros: história, símbolos e participação popular

A Festa dos Tabuleiros de Tomar é uma celebração ligada ao culto do Espírito Santo, realizada tradicionalmente de quatro em quatro anos. Envolve a cidade e as freguesias do concelho num trabalho coletivo que se prolonga muito para lá dos dias do cortejo.

Festa dos Tabuleiros de Tomar na edição de 2011
A Festa dos Tabuleiros mobiliza a comunidade tomarense. Imagem da edição de 2011. Fotografia: Jornal Cidade de Tomar. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: Public domain.

O tabuleiro reúne pão, flores de papel, espigas e uma coroa rematada pela cruz de Cristo ou pela pomba do Espírito Santo. Estes elementos ajudam a ler a festa como expressão religiosa, manifestação comunitária e celebração da partilha.

Uma festa que se prepara em comunidade

As ruas ornamentadas, os cortejos, as coroas e os pendões mostram o envolvimento de diferentes gerações. A preparação das flores e dos enfeites faz parte da própria história da festa. O Cortejo dos Rapazes permite que as crianças participem numa experiência adaptada à sua idade.

As ruas ornamentadas mostram o trabalho coletivo de preparação da Festa dos Tabuleiros. Fotografia da edição de 2011.
As ruas ornamentadas mostram o trabalho coletivo de preparação da Festa dos Tabuleiros. Fotografia da edição de 2011. Fotografia: Jornal Cidade de Tomar. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

A distribuição de alimentos, conhecida como Pêza, recorda a dimensão solidária da celebração. Para compreender a festa, importa olhar tanto para o espetáculo visual como para as relações sociais que a tornam possível.

Património imaterial: qual é o reconhecimento?

A Festa dos Tabuleiros está inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Este reconhecimento é distinto da inscrição do Convento de Cristo no Património Mundial da UNESCO. Não são classificações equivalentes.

A Festa dos Tabuleiros é uma manifestação de património imaterial ligada à comunidade. Fotografia da edição de 2023.
A Festa dos Tabuleiros é uma manifestação de património imaterial ligada à comunidade. Fotografia da edição de 2023. Fotografia: António Tedim. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

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Santa Iria: a lenda, a capela e as tradições de Tomar

Santa Iria é a padroeira de Tomar. A sua história pertence à tradição religiosa e ao imaginário local, com episódios situados na época visigótica. Segundo a lenda, Iria foi morta junto ao Nabão e o seu corpo seguiu pelas águas até à região de Santarém.

A Capela de Santa Iria liga o património construído à memória religiosa da padroeira de Tomar.
A Capela de Santa Iria liga o património construído à memória religiosa da padroeira de Tomar. Fotografia: Nmmacedo. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0.

O relato deve ser apresentado como lenda hagiográfica, e não como uma sequência integralmente comprovada por documentação contemporânea dos acontecimentos. O que se pode observar é a importância duradoura do culto na identidade tomarense.

A Capela de Santa Iria, junto ao rio, integra o antigo conjunto conventual. O edifício reúne fases de construção e elementos decorativos posteriores ao tempo em que a tradição situa a vida da santa. A evocação de 20 de outubro, incluindo o gesto de lançar pétalas à água, liga a memória religiosa ao Nabão.

A Feira de Santa Iria acrescenta uma dimensão popular e comercial a esta memória. Para o visitante, conhecer a tradição permite compreender melhor a relação entre o lugar, o calendário festivo e as práticas da comunidade.

Conheça a Capela de Santa Iria e a tradição da padroeira. Consulte a agenda municipal de turismo para a programação atual.

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Lendas e curiosidades: o que é história e o que é interpretação?

Tomar desperta interesse por símbolos templários, passagens secretas e narrativas de mistério. Essas histórias fazem parte da forma como muitas pessoas descobrem a cidade, mas devem ser distinguidas dos resultados da investigação.

Pormenor arquitetónico do Convento de Cristo, em Tomar
A arquitetura do Convento de Cristo deve ser lida no contexto das suas diferentes épocas. Os pormenores decorativos, por si só, não comprovam narrativas de mistério. Fonte: Pexels. Licença: Licença Pexels.
  • Túneis entre monumentos: uma tradição oral não basta para comprovar a existência, o traçado ou a função de uma passagem subterrânea.
  • Geometria e símbolos: uma leitura simbólica pode ser interessante, mas não demonstra, por si só, a intenção de quem construiu ou planeou.
  • Aqueduto «templário»: a associação turística aos Templários não altera a cronologia da obra, iniciada no final do século XVI.
  • Nabância e Santa Iria: memória religiosa, nomes tradicionais e vestígios arqueológicos são testemunhos de natureza diferente.
  • Fundação e estatuto de cidade: 1160 e 1844 respondem a perguntas distintas e não são datas concorrentes.

Uma visita guiada ganha valor quando explica de onde vem cada afirmação. Perguntar pela fonte de uma história não lhe retira interesse: ajuda a perceber se estamos perante um documento, uma hipótese, uma tradição ou uma criação recente.

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Cronologia da história de Tomar

Estas datas ajudam a relacionar a evolução da cidade com os lugares que ainda hoje se podem conhecer. As referências documentais encontram-se nas secções correspondentes e na lista de fontes.

Vista de Tomar conservada nos National Archives dos Estados Unidos. O registo de origem situa a fotografia entre cerca de 1948 e 1955.
Vista de Tomar conservada nos National Archives dos Estados Unidos. O registo de origem situa a fotografia entre cerca de 1948 e 1955. Fotografia: Charles Fenno Jacobs. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: Public domain.
Data ou período Acontecimento Lugar ou tema associado
Pré-história Ocupação humana do território, documentada por vestígios arqueológicos. Património arqueológico do concelho.
Época romana Existência de Sellium ou Seilium. Margem esquerda do Nabão.
1159 Entrega do território à Ordem do Templo por D. Afonso Henriques. Formação da vila medieval.
1160 Início do castelo e fundação medieval por Gualdim Pais. Castelo Templário.
1162 e 1174 Forais outorgados por Gualdim Pais. Organização da comunidade.
1190 Resistência do castelo ao ataque almóada. Memória do cerco.
1195 Morte de Gualdim Pais. Santa Maria do Olival.
1312 Supressão da Ordem do Templo. Reorganização institucional.
1319 Criação da Ordem de Cristo. Património e direitos da nova ordem.
1357 Transferência da sede da Ordem de Cristo para Tomar, segundo a Torre do Tombo. Convento de Tomar.
1420-1460 Administração da Ordem de Cristo pelo Infante D. Henrique. Claustros henriquinos.
Século XV Construção da Sinagoga. Património judaico.
Séculos XVI e XVII Grandes campanhas manuelinas e renascentistas no conjunto conventual. Janela do Capítulo e claustros.
1581 Cortes de Tomar e reconhecimento de Filipe I de Portugal. História política da vila.
1593-1619 Construção e prolongamento do aqueduto até ao convento. Pegões e abastecimento de água.
1834 Extinção das casas religiosas masculinas. Património conventual.
1844 Elevação de Tomar a cidade por D. Maria II. História municipal.
1901 Inauguração da Central Elétrica. Levada e modernização.
1906 Nascimento de Fernando Lopes-Graça. Memória musical tomarense.
1911 Reforma ortográfica portuguesa que elimina o «h» do grupo «th». Enquadramento da simplificação de Thomar para Tomar.
1923 e 1939 Aquisição da Sinagoga por Samuel Schwarz e posterior doação ao Estado. Preservação do património judaico.
1983 Inscrição do Convento de Cristo no Património Mundial da UNESCO. Reconhecimento internacional.

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O que visitar em Tomar para conhecer a sua história?

Uma visita histórica beneficia de alguma ordem, mas não precisa de seguir rigidamente uma cronologia. O percurso seguinte é uma sugestão editorial: adapte-o ao tempo disponível, à mobilidade de quem o acompanha e às condições de acesso.

Primeiro percurso: a cidade e o rio

A Levada e a Ponte Velha permitem ligar o percurso pelo centro histórico à paisagem do Nabão.
A Levada e a Ponte Velha permitem ligar o percurso pelo centro histórico à paisagem do Nabão. Fotografia: Jules Verne Times Two. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.
  1. Praça da República: comece pela relação entre os Paços do Concelho, São João Baptista e a estátua de Gualdim Pais.
  2. Sinagoga: descubra a presença judaica e a história da preservação deste edifício.
  3. Levada: passe da cidade religiosa à cidade produtiva, seguindo a ligação entre o Nabão, a moagem e a eletricidade.
  4. Santa Iria e Mouchão: observe como o rio se liga à tradição, à técnica e ao espaço público.
  5. Santa Maria do Olival: complete a leitura com a memória funerária dos mestres e a arquitetura gótica.

Segundo percurso: a colina e o conjunto conventual

A visita à Charola permite observar de perto a arquitetura e a decoração do conjunto conventual.
A visita à Charola permite observar de perto a arquitetura e a decoração do conjunto conventual. Fotografia: Palickap. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

Reserve uma parte própria da visita para o castelo e o Convento de Cristo. A Charola, a igreja, a janela e os claustros pedem tempo de observação. A Ermida da Conceição e a antiga cerca acrescentam contexto, quando estiverem acessíveis. O Aqueduto dos Pegões pode completar o percurso, com uma deslocação específica.

Se tiver apenas um dia, escolha alguns lugares com calma. Com dois dias, torna-se mais fácil incluir museus e compreender a cidade para além dos monumentos mais conhecidos. Esta é uma proposta de ritmo, não uma garantia de duração ou de abertura dos espaços.

O Claustro de D. João III integra a descoberta do conjunto conventual na colina de Tomar.
O Claustro de D. João III integra a descoberta do conjunto conventual na colina de Tomar. Fotografia: Palickap. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

Continuar pelo Médio Tejo

A descoberta pode prolongar-se para outros lugares da região, como Almourol e Dornes, ligados à memória templária, ou a paisagem da albufeira de Castelo de Bode. São extensões regionais da visita e não partes do centro histórico de Tomar.

Castelo de Bode permite prolongar a descoberta de Tomar pela paisagem do Zêzere. É uma extensão regional do roteiro histórico.
Castelo de Bode permite prolongar a descoberta de Tomar pela paisagem do Zêzere. É uma extensão regional do roteiro histórico. Fotografia: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 2.0.

Antes de sair: confirme horários, bilhetes, acessibilidade e eventuais condicionamentos nas páginas das entidades responsáveis. O acesso ao castelo, aos espaços conventuais e à mata pode ter regras diferentes. Uma ligação pedonal no mapa também não garante um percurso sem declives ou degraus.

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Perguntas frequentes sobre a história de Tomar

Porque se escrevia Thomar com «h»?

A grafia histórica empregava «th», um grupo que podia não ter valor fonético nem justificação etimológica. A normalização ortográfica de 1911 suprimiu o «h» desse grupo. Veja a explicação documentada sobre Thomar e Tomar.

Quem fundou Tomar?

A fundação da vila medieval é atribuída a D. Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo, em 1160. A ocupação humana do território e a cidade romana de Sellium são anteriores.

A Praça da República, um dos pontos de referência para começar a conhecer a cidade.
A Praça da República, um dos pontos de referência para começar a conhecer a cidade. Fotografia: Palickap. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0.

Em que ano foi fundada Tomar?

A data de referência é 1160, ano do início da construção do castelo templário. Tomar recebeu o estatuto de cidade em 1844.

Porque se chama cidade dos Templários?

Porque foi sede da Ordem do Templo em Portugal e conserva património diretamente ligado à sua presença, nomeadamente o castelo, a Charola e a memória funerária em Santa Maria do Olival.

Qual é a diferença entre o Castelo de Tomar e o Convento de Cristo?

O castelo é a estrutura fortificada iniciada no século XII. O convento reúne espaços religiosos e monásticos desenvolvidos e alterados em várias épocas. Fazem parte do mesmo conjunto monumental, com fases e funções diferentes.

Os Templários e a Ordem de Cristo eram a mesma ordem?

Não. A Ordem de Cristo foi criada em 1319, depois da supressão da Ordem do Templo. Herdou bens e direitos templários em Portugal, mas teve uma identidade institucional própria.

Tomar inteira é Património Mundial?

A inscrição de 1983 na Lista do Património Mundial refere-se ao Convento de Cristo. Não corresponde a uma classificação automática de toda a cidade.

O Aqueduto dos Pegões foi construído pelos Templários?

Não. A obra começou em 1593, séculos depois da supressão da Ordem do Templo, para abastecer o Convento de Cristo.

O que aconteceu nas Cortes de Tomar?

Em 1581, Filipe II de Espanha foi reconhecido como Filipe I de Portugal nas Cortes reunidas em Tomar, no contexto da sucessão ao trono português.

O que torna a Sinagoga de Tomar importante?

É um testemunho preservado da presença judaica no século XV. O edifício e o núcleo museológico permitem conhecer essa comunidade e a história da recuperação do património judaico.

De quanto em quanto tempo se realiza a Festa dos Tabuleiros?

Tradicionalmente, de quatro em quatro anos. Para a edição que pretende visitar, confirme as datas e o programa junto da organização.

Quanto tempo é preciso para conhecer Tomar?

Um dia permite escolher alguns lugares centrais e o convento, conforme as condições de visita. Dois dias dão mais margem para museus, património industrial e arredores. O tempo necessário depende do ritmo e dos espaços escolhidos.

Onde encontrar informação oficial para visitar os monumentos?

O portal municipal de turismo reúne informação sobre a cidade. Para o Convento de Cristo, consulte a Museus e Monumentos de Portugal. As ligações diretas encontram-se nas secções deste guia.

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Fontes e leituras para aprofundar a história de Tomar

Este guia cruza informação municipal, documentação arquivística, inventários patrimoniais, investigação académica e apresentações das entidades responsáveis pelos monumentos. Os textos são uma síntese editorial; as ligações permitem aprofundar os temas e consultar informação de visita atualizada.

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Da cidade romana à vila templária, do convento à fábrica, das tradições religiosas aos museus, Tomar conserva diferentes maneiras de contar o seu passado. Descobri-las em conjunto permite olhar para cada rua e monumento como parte de uma cidade que continua a construir a sua história.

Para ler também

Créditos das imagens

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  1. Fotografia: Sofia Vila Flor. Fonte: Unsplash. Licença: Licença Unsplash. Ver imagem
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  5. Esquema: TomarOnline. Fonte da regra: Formulário Ortográfico de 1911, cláusulas III e VI. Ver imagem
  6. Fotografia: Threeohsix. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0. Ver imagem
  7. Fotografia: Jaimrsilva. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0. Ver imagem
  8. Fotografia: Ingo Mehling. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0. Ver imagem
  9. Fotografia: Sanrafae. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0. Ver imagem
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  11. Fotografia: Filipefirix. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0. Ver imagem
  12. Fotografia: Lusitana. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0. Ver imagem
  13. Fotografia: Sara Araújo Marques. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0. Ver imagem
  14. Fotografia: José Luis Filpo Cabana. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY 3.0. Ver imagem
  15. Fotografia: Jl FilpoC. Fonte: Wikimedia Commons. Licença: CC BY 4.0. Ver imagem
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  19. Fotografia: Wendell Adriel L.S.. Fonte: Unsplash. Licença: Licença Unsplash. Ver imagem
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