A CDU lançou duras críticas à atuação do executivo municipal liderado pela coligação AD–Chega em Tomar, denunciando uma alegada falta de planeamento estratégico, decisões “em cima do joelho” e um clima crescente de desconfiança entre a população.
Durante uma intervenção na Assembleia Municipal, os eleitos da CDU defenderam que o papel da oposição deve ir além da fiscalização, assumindo também uma função de alerta e reflexão. “Há uma sensação crescente de inquietação no concelho”, afirmaram, apontando decisões tomadas “sem maturação, sem escuta e sem visão estratégica”.
Autocaravanas: encerramento gera polémica
Um dos principais exemplos apresentados foi o encerramento do parque de autocaravanas, até então considerado uma referência nacional. A CDU critica o facto de o espaço ter sido desativado sem alternativa preparada, levando à dispersão de autocaravanas junto ao rio Nabão, “sem condições, sem infraestrutura e sem dignidade”.
A recente decisão do executivo de anunciar um novo espaço provisório foi interpretada como uma reação à contestação pública. “Não é planeamento, é resposta à pressão”, acusam.
Centro histórico perde eventos
Outro ponto de discórdia prende-se com a retirada de eventos do centro histórico, como o Congresso da Sopa e a Festa Templária. Para a CDU, estas decisões colocam em causa a identidade da cidade e a dinamização económica local.
“A Festa Templária não é apenas um evento, é património vivo”, sublinham, alertando para o risco de esvaziamento do centro histórico e criticando a ausência de debate prévio.
Contratações levantam dúvidas
A contratação de novos técnicos superiores — 13 postos de trabalho, incluindo 10 técnicos — também foi alvo de críticas. A CDU questiona a coerência com a recente reestruturação orgânica da Câmara.
“Ou a reorganização foi mal pensada ou estamos perante uma gestão casuística”, apontam, exigindo clareza sobre a estratégia de recursos humanos do município.
Tejo Ambiente sem respostas
O dossiê da Tejo Ambiente foi classificado como o mais preocupante. Cinco meses após terem sido solicitados, continuam por apresentar o estudo de viabilidade económica e o plano de atividades para 2026.
Para a CDU, o silêncio em torno de matérias relacionadas com água, saneamento e tarifas “é grave” e levanta suspeitas. “Quando cresce a dúvida, cresce a desconfiança — e isso enfraquece a democracia”, alertam.
“Tomar merece mais”
A intervenção terminou com um apelo a uma mudança de rumo. A CDU defende “menos voluntarismo e mais planeamento”, acusando o executivo de reagir em vez de antecipar.
“Governar não é administrar acontecimentos, é construir futuro — e o futuro não se improvisa”, concluem.


